quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O Começo profissional

Vamos lá... tudo começou pela mais pura e simples precisão de grana... terminei o colegial em 87, tentei arrumar serviço, mas os malditos burocráticos do setor empresarial só queriam (e ainda querem) saber de cara com experiência. Depois da terceira entrevista, não agüentei e mandei o responsável plantar batata e a enfiar a tal da experiência no local que ele achasse melhor. Saí daquela sala disposto a me virar de forma autônoma. Através de um amigo chileno, conheci o mundo do artesanato, bijuterias e afins, e consegui um trampo, na verdade um verdadeiro passa-tempo, que me possibilitou conhecer muita gente legal, ao mesmo tempo que levantava um troco bacana, e que além disso, propiciou-me a oportunidade de por em pratica o meu lado esotérico juntamente com meus conhecimentos de computador. Arrumei um sócio, chileno também, e juntos começamos a trabalhar pelo interior, capital e até mesmo outros Estados levando o até então estranho e ao mesmo tempo fascinante, microcomputador, munido de um "poderoso software", capaz de dar o perfil e prever partes do destino das pessoas. Como no final dos anos 80 e começo dos 90, o PC não era tão popular, pelo alto custo, fizemos bastante sucesso pelas feiras, exposições e festas deste belo país. Ao mesmo tempo que comecei a viajar para as feiras e exposições, "consegui passar" no vestibular e entrei na faculdade, na São Judas, Móoca, em 1989. Confesso, sem vergonha alguma, que meu pai me deu uma força nas mensalidades nos primeiros dois anos, do terceiro pra frente saiu tudo do meu bolso.
Conciliei meus estudos com as viagens durante um pouco mais de três anos. Em meados de 1991, plena Era Collor, e com a crise que uma inflação acumulada de 400% pode gerar, (que coisa hem Fernandinho!!!) a vida começou a apertar, pois além das viagens tornarem-se cansativas, a grana começou  a escassear. Fiquei numa dureza danada (aliás, ainda estou..), devia uns seis meses de faculdade... dureza mesmo!!!.
Toda semana ia pro centro da cidade, mais especificamente pra República, retirar uns jornais do Chile, que um pessoal da extinta companhia aérea Ladeco, na São Luiz, separava pra minha família...
Toda vez que saia da estação República e olhava esse mar de gente, falava pra mim mesmo: "caramba, quanta gente, aqui o dinheiro anda prá lá e prá cá, preciso arrumar um ponto pra levantar uma grana".
Fiquei matutando....sabe como é né? ponto no centro é o olho da cara, assim sendo precisei estudar a região e ver onde poderia colocar meu computador pra tentar me levantar.
Procura aqui, pergunta lá, recebi vários “não” na cara, mas não desisti, sabia que minha procura  poderia ter um final feliz... (me considero, e alguns concordam,  uma pessoa super otimista ...)
Quase no final da jornada, já prestes a pegar o metrô de volta par casa,  percebi um cantinho certinho pra minha maquininha...
Contemplei o ponto por quase meia hora, (na verdade aproveitei para descansar, pois tinha rodado por um bom tempo, algumas horas talvez, procurando pelo ponto). Tomei coragem, e me preparei para receber o ultimo não antes de pegar o metrô. Decidi perguntar ao dono do ponto sobre a possibilidade de trabalhar no mesmo..
Foi com imensa surpresa que percebi a afabilidade do proprietário, uma pessoa simples que me impressionou pela sua seriedade misturada com uma descontraída conversa. Você sentia firmeza nas palavras que surgiam da boca desse cara.
Isso foi em dezembro de 1991, o local foi a banca de jornais localizada na Praça da República, quase esquina com a Rua Barão de Itapetininga e a pessoa, Miguel Natal, uma pessoa que a partir daquele dia tornaria-se um grande amigo, um conselheiro dos bons, uma pessoa que transmitia sabedoria e que sempre tinha um bom papo, uma boa história para contar. Esta amizade, infelizmente, foi interrompida no plano físico pela sua morte em setembro de 2003, mas com certeza perdura até os dias de hoje no plano mental ou sei lá, com que nome definir.
Entre indas e vindas, assumi meu posto na banca, definitivamente, em janeiro de 1992, e posso lhes garantir, que em apenas uma semana já tinha quitado minhas dividas universitárias.
Confesso que nunca me imaginei trabalhando numa banca de jornal, mas quem já teve a  oportunidade sabe que é uma correria brava, que é um pega pra capar todo dia, mas que também tem a parte boa, pois te possibilita a oportunidade de conhecer gente, muita gente, dos mais diversos tipos de raças e credos. Pessoas que fazem questão de conversar com a gente para desabafar seus problemas, gente que muitas vezes nem mais aparece, mas que com certeza, deixou a sua mensagem.
Neste blog, pretendo contar as histórias e apresentar alguns personagens, verdadeiras figuras que marcaram minha vida nestes últimos vinte anos. Espero que gostem, e por que não, se possível, nos façam uma visita na banca para podermos conversar.